Ainda me lembro da primeira vez que ouvi o chamado da
estrada. Eu ainda nem tinha uma motocicleta. Estava dentro de um ônibus
comercial e, de repente, olhei através do vidro e vi seus braços abertos como
uma mãe que espera pelo filho. Meu coração acelerou-se e um calafrio tomou meu
corpo. Senti seu hálito em meu rosto. Naquele dia compreendi que eu era um
filho da estrada. Era isso que havia esperado por tantos anos. Algum tempo
depois comprei minha primeira motocicleta. O motor não era dos mais potentes,
mesmo assim, eu decidi atender o chamado da estrada e parti em uma viagem de
uns trezentos quilômetros. Ainda me lembro da adrenalina ao iniciar minha
viagem. O vento, a paisagem, a paz. Era tudo tão belo, as cores eram tão vivas.
Senti seus braços me envolvendo, como uma bela jovem envolvendo num abraço
forte seu primeiro amor. Ouvi sua voz chamando meu nome e me entreguei. Depois
disso jamais consegui me afastar da estrada. Compreendi, então, que a estrada é
para o motociclista como o mar para o marinheiro. Quando ela rouba-lhe o
coração ele jamais poderá viver em paz longe dela. É na estrada que está meu
coração, perdido em alguma curva, ou descansando em algum acostamento,
esperando pela mulher capaz de acompanhá-lo pela estrada até o fim dos dias.
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