terça-feira, 8 de dezembro de 2015

HUMANIDADE





Eu hoje estou triste.

Fico assim sempre que penso nas pessoas, nos seres que habitam nosso mundo e atendem por humanidade. Triste quando penso em todos nós. O que nos tornamos?
Outro dia Márcia Tiburi dizia em uma palestra que somos todos assassinos. E o somos não porque matamos, mas porque deixamos morrer. Deixamos morrer os mendigos, as crianças de rua, o índio e todos aqueles que estão à margem da nossa querida e amada sociedade.
Democracia.
Tenho um amigo que brinca dizendo que democracia vem do grego Cracia = governo e Demo = demônio, ou seja, democracia é o governo do demônio. A gente ri, mas agora penso se não está mais perto da verdade do que imaginamos.
Além disso, a violência já não é mais tão travestida como denunciou um dia Humberto Gesinger.
E nos matamos.
Abrimos mão de nossa liberdade (se é que isso existe mesmo) em nome de uma segurança imaginária. Por que o Estado é incapaz de nos garantir segurança. Mas nós queremos acreditar que sim. Queremos muito acreditar que sim. Por isso entregamos o controle de nossas vidas a uma pessoa que nunca olhou em nossos olhos. Não consigo compreender isso.
Choramos copiosamente por pessoas que nunca souberam que da nossa existência e não nos comovemos com a criança suja de pés no chão que nos pede um trocado.
É assim que nós somos. Cercamo-nos de desculpas para odiar os pedintes e os mendigos. Dizemos em voz alta que eles poderiam estar trabalhando, mas no fundo agradecemos por não terem tomado nossa vaga no mercado de trabalho.
hipocrisia.
Esperamos que eles morram. Alguns, com mais consciência, ou medo do divino, distribuem algumas migalhas do que lhes sobra. E esperamos que todos sejam felizes na nossa tão sonhada democracia. Mentira! o que nos importa é somente a nossa própria felicidade
Nos escondemos em nossas casas, esperando que os marginais fiquem lá fora. Odiamos quem nos rouba, mas esperamos todos os dias pela chance de roubar alguém. E roubamos. Roubamos a esperança com um comentário ou conselho. Roubamos o sorriso com uma má resposta ou indiferença. Roubamos a paciência com nossas reclamações ou palavras duras. Roubamos o amor com traições e descaso.
Sempre roubamos algo de alguém para nossa própria satisfação.
Somos vermes incuráveis.
O mais triste é que noventa e nove por centos de nós nem percebe isso. Está inculcado de tal forma em nossas pobres cabeças que sequer nos damos conta. Puxamos o gatilho e nem sabemos que o fizemos.
Eu me pergunto se isso é inocência ou ignorância.
Desconfio que peguei pesado demais...
Desculpem-me por minhas palavras.
Não se importem com o que eu disse.
É só um desabafo de alguém que vê o que não queria...


E o nó na minha garganta não se desfaz.

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